segunda-feira, 28 de abril de 2008

Sobre a verdade dos pijamas.


O pijama é a mordaça do ego.

Não tem coisa pior do que você ter um dia completamente cheio de responsabilidades e chegar em casa e está lá, atrás da porta, o seu pijama de florzinhas te esperando.

Você não precisa tomar banho rápido porque ninguém te espera pra jantar.
Você não precisa pensar "com que roupa eu vou?" porque ninguém vai bater a sua porta te chamando pra comer um churros na praça.
Você não precisa se preocupar com qual calcinha usar porque não terá visita especial.

É, ele se disfarça de campo florido para te dar a falsa ilusão de aconchego.

domingo, 27 de abril de 2008

Sobre os diálogos. (II)


- Eu acho que não deveria me surpreender nem me machucar ao saber certas coisas. Ao me confrontar com atitudes covardes. Ao ler certas coisas. Nem ter que encontrar com certas pessoas. Não porque elas devessem sumir do mundo, mas simplesmente porque elas nunca deveriam ter existido.
- Mas porque?
- Porque dói, fere, é como se esfregassem a dor na minha cara, e isso é motivo o bastante pra eu me sentir cansada.
- Mas não é com a dor esfregada na cara que as pessoas criam casca e superam?
- É.
- E então. E agora?
- Não sei.
- Você me ama?
- Amo e odeio.
- E então. E agora?
- Só me faça feliz.
- Como?
- Beije minha boca, mas antes me fure os olhos.

segunda-feira, 21 de abril de 2008

Sobre as dores menores que a falta.


E sentada na sua poltrona surrada ela observou sem se mover: A dor sem tamanho amolando sua faca para cortar-lhe as pálpebras e queimar-lhe lentamente os olhos com o cigarro da verdade!

Me gusta las muchachas putanas.

Pq eu não sei postar vídeo.

Pq eu acho poesia pura essa sujeira toda.

http://br.youtube.com/watch?v=PVwCrOiHlLQ

quinta-feira, 17 de abril de 2008

Sobre o a-braço.


Abraçar é ter olhos nas costas.
Quando duas pessoas que se gostam se abraçam, elas se fundem e ganham visão panorâmica do mundo.
Viram super-heróis.
Eu te protejo do que vem, você cuida do que passou e que pode voltar.
Esses poderes eu perdi, e eram eles que me fazia uma coisa encontrável.
É difícil se perder, preciso arrumar uma forma organizada de me achar.
E voltar a ser uma pessoa que nunca fui.
Voltei a ter o que nem lembrava mais que tinha: apenas dois olhos.

terça-feira, 15 de abril de 2008

E se chover?


"Eu tenho esse desespero.
Você, um coração inteiro"
Dois em Um

Não conhecem ainda?
É só apertar o play.




Leiam a entrevista deles na Revista Verbo 21 do meu amado Lima Limon, e percebam que doçura exalam esses três.


domingo, 13 de abril de 2008


Primeira meta do dia:
Escovar os dentes e depois de lavar a louça, vou escrever o meu artigo.

Segunda meta do dia:
Depois do almoço, depois que cochilar, vou escrever o artigo.

Terceira meta do dia:
Quando eu olhar meu orkut, me distrair UM POUQUINHO, vou escrever o artigo.

Quarta meta do dia:
Quando tomar banho vou estar zerada e vou escrever o artigo.

Quinta meta do dia:
Depois da monitoria grátis em pleno domingão, eu vou escrever o artigo.

Sexta meta do dia:
Ligar pra uma amiga e chamar pra tomar umas cervejas.


Escrever o artigo? Amanhã depois que eu escovar os dentes e lavar a louça.

quarta-feira, 9 de abril de 2008

Sobre o que eu quero.


Amor esperto.
Amores perto.

terça-feira, 8 de abril de 2008

Sobre as explosões.


Como é que pode ter tantos sentimentos dentro de uma só pessoa?
Como é que pode ter tantos sentimentos?
Como é que pode?

Eu sei que vou explodir.
Eu sei que vou.
Eu vou.

domingo, 6 de abril de 2008

Sobre as fatalidades [?]


Quer reencontrar uma pessoa interessante?
Então tenha uma cadela incoveniente e vá fazer uma caminhada ao meio dia pela orla da cidade.

sábado, 5 de abril de 2008

Hoje estou no Doce Intolerância.

sexta-feira, 4 de abril de 2008

Sobre os riscos.


Arriscado é a gente se meter no meio desse mundão de meu Deus e ir parar em algum buraquinho do sul da Europa. Lá eu me chamaria Sophie, e você, Thomas. Arriscado é a gente querer viver de cinema, música e cafés e notarmos que não saímos da nossa cabana há dias. Arriscado é a gente se esconder do mundo e escrever AQUELE roteiro de dois malucos que se jogaram no mundo, felizes e satisfeitos, até as pessoas esquecerem da gente. Arriscado é eu topar juntar minha escova na tua. Arriscado são os homens invejarem a sua mulher psicóloga-roteirista-poeta-fotografa-bonita-sarcástica. Arriscado são as mulheres invejarem o meu marido cientista-cineasta-violeiro-cantor-bem humorado-modesto. Arriscado são elas invejarem, porque, enfim, vamos ter que, qualquer dia, comprar queijo pro café da manhã. Arriscado é a gente gostar dessa inveja do mundo e entender que podemos ser felizes pra sempre sem ninguém entender como é que conseguimos. Arriscado é mudarmos e chocarmos o mundo. Arriscado é aprendemos como é ficar acordado pro mundo e escolhermos sonhar, sonhar, sonhar. Como dois cachorros preguiçosos. Pra sempre. É arriscado. Eu sei. Mas eu correria esse risco fácil fácil.

quarta-feira, 2 de abril de 2008

Sobre as contra-indicações


1 Sorine para congestionamento nasal.
1 Neosaldina para as dores de cabeça.
1 Lexotan do lado para caso queira esquecer.
1 Barra de Toblerone para a próxima chuva.
1 Tempinho para assimilar tudo que tem acontecido nos últimos tempos.

terça-feira, 1 de abril de 2008

Tudo enfim melhora [Ou, Das Coisas Que Me Pegam De Surpresa Num Sábado Tedioso]



- Você acha que sou fantástica? perguntou ela um dia, quando eles resolveram sair pra beber.
- Não, disse ele.
- Por quê?
- Porque tantas moças são fantásticas-maravilhosas-perfeitas. Imagino que centenas de homens já chamaram suas amadas de maravilhosas hoje, e ainda é meio-dia. Você não pode ser uma coisa que centenas de outras são.
- Está dizendo que sou não-fantástica?
- Estou, e é quase como um ainda bem.





segunda-feira, 31 de março de 2008

Sobre as buscas e as fugas.


E ela vivia procurando por ele em todas as avenidas, ruas e lugares. Ruborizava ao passar por carros iguais ao dele, não julgava a sua míopia e perseguia os homens com o seu arquétipo. Era assim no início.
Hoje ela reza e implora fervorosamente a todos os santos que nunca acreditou, que não permitam que cruze com ele, que ele não apareça de repente, ou passe com sua nova namorada. Suplica para que não receba mais um golpe baixo.
Não tem frustração, ódio ou mágoa.
É só decepção branda.
Hoje, pouco importa que ele tenha sido hipócrita e execrável, pois como fracasso, ele foi maravilhoso...

domingo, 30 de março de 2008

Feliz Aniversário, holandês.


O amarelo comestível de Van Gogh


Ontem encontrei com Van Gogh, estávamos num desses cabarés franceses conversando e saboreando a melodia de Chopin. Ao som de Nocturne Op.9 nº 2, viajei pelos trigais buscando desesperadamente o segredo dos tons amarelados. Os corvos estão partindo,indício de que a melodia está acabando e meu tempo também. O desespero toma conta de mim quando percebo que não degustei a tonalidade amarelada.

- Vou-me suicidar! Pensei.

Aponto a arma para a minha cabeça mas o tiro saiu pela culatra e quando percebo, vejo meu amigo holandês ali caído, morto!Lá se vai Van Gogh e com ele o segredo do amarelo comestível.


Lucho Gonzalez

sexta-feira, 28 de março de 2008

Sobre o que completa.


São esses pedaços que a vida me arranca que me fazem inteira.

E que não deixam de doer, mas aí já é outra história.

quinta-feira, 27 de março de 2008

Das conversas que não precisam de respostas.




- Deixa eu cuidar de você?
- Você sabe que eu não sou fácil de lidar, não sabe?
- Por isso mesmo, deixa eu cuidar de você?
- E se eu sofrer?
- E se você me amar?
- E se eu te amar e sofrer depois?

- Porque não arriscar?

terça-feira, 25 de março de 2008

Algumas poucas observ[ações]


Cheguei de viagem, uma viagem que realmente foi um divisor de águas na minha vida.
Talvez more em Ribeirão Preto. Talvez só passe seis meses lá. Talvez eu nem volte. Mas já tenho a porta aberta, mesmo que isso me pareça a porta de um abismo.
Estive sozinha e não me reconheci de tão bonita. O mundo é bom. As pessoas aparecem na sua vida, e por mais que você fique, a vida te mostra que pelo menos ela continua.
Eu tinha um medo fodido de perder, perder você, a lucidez, a coerência, medo fodido de perder os olhos encantados no mundo, mas eis que hoje me vi livre-escrota-sacana-bacaninha, pois aprendi que não preciso temer mais nada depois que te perdi.
E eu estou me achando ainda mais foda-competente-escrota-gostosa-atraente-sortuda-pra-caralho.
Tem uma vida muito massa me esperando e eu não estava dando conta.
Não vou dizer que passei incólume.
Você é e sempre será uma ferida aberta no peito, e por mais que eu mude, sorria, viva e até ame, você estará lá debaixo das minhas roupas como uma ferida boa que não sangra.
Uma daquelas feridas que nos ensinam.

Quanto mais sozinha me sinto nessa cidade grande, fria e tão cheia de possibilidades, mais distante coloco aqueles que eu amo. Os distancio pra me aproximar de mim. São oito e pouca da noite, os olhos marejados de lágrimas e eu ainda tenho a noite inteira pela frente me engolindo.

Hoje tenho limites para me doar, e não ultrapassar. E isso me causa uma sensação estranha, esse negócio de re-encantamento de mim está sendo muito difícil, porém prazeroso, pois me sinto mais certa de que se a tal pessoa aparecer e que se não for dessa vez, eu não vou morrer. Não existe apenas A pessoa. Sei o que vai acontecer comigo, isso já aconteceu antes. Mas agora eu tenho experiência.

Estou sozinha sentada num café, tudo tão chique e blasé aqui. Alguns caras tentam se aproximar (não sabia o quanto uma mulher que lê Henry Miller ouriçam os homens aqui nessa cidade). E então agradecida dos cafés-drinques-sucos oferecidos, disfarçadamente comecei a chorar. Troquei os óculos de grau e pus o meu ray-ban escuro. E foda-se que já era noite. Eu estou em São Paulo, eu tenho o direito de ser esquisita também. Ninguém me conhece nessa porra e esses imbecis só estão sendo agradáveis porque perceberam que eu sou turista-baiana-e-bonita e então acham que me comem fácil.
E exarcebada de infelicidade subi a avenida que me levava ao alojamento desse dia que foi extremamente proveitoso, embora tenha parecido eterno e que me transbordou de afogamentos.

Ah! como eu precisava tanto de alguém que me salvasse do pecado de querer abrir o gás.
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Ouvindo: My funny valentine - Chet Baker por Simona Parrinello.

quarta-feira, 19 de março de 2008

Das descobertas.

A viagem não é apenas um deslocamento, mas a profundidade do horizonte.

terça-feira, 18 de março de 2008

Dos sebos da vida.


Trópico de Câncer - Henry Miller: R$ 4,00.

A brincadeira - Milan Kundera: R$ 8,00

O pensamento de Jung: R$ 4,00

O lobo da estepe - Hermann Hesse: R$ 13,00

Ana karenina 2 volumes - Tolstói: R$14,00

TOTAL: R$ 43,00


Sim, é só pra vocês ficarem com inveja.

domingo, 16 de março de 2008

Sobre as viagens.


Arrumei todos os meus papéis. Rasguei e destruí muito, sem piedade. Isso é sempre uma grande satisfação. Sempre que preparo uma viagem, eu o faço como se estivesse indo para a morte. Se eu não voltar, tudo estará em ordem. Foi isso o que a vida me ensinou.


Katherine Mansfield.



E é assim que eu arrumo as minhas malas.
Volto Domingo.
Espero.

quinta-feira, 13 de março de 2008


Dorme logo dor minha.

segunda-feira, 10 de março de 2008

Sobre as discrepâncias.


- Tudo bem, eu sei o quanto é difícil você me ver, pois é a mesma coisa que sinto quando não te vejo.

sábado, 8 de março de 2008

Sobre o receio.


Ando morrendo de medo de tudo que prometa durar para sempre.

terça-feira, 4 de março de 2008

Sobre como aquele dia terminou (Ou sobre como tudo ficou)


Ninguém vai sambar na minha caveira e vocês estão de prova. Eu não sou mulher pra macho chegar e usar como quer e depois dizer tchau deixando poeira na cama desmanchada. Mulher de malandro, comigo não. Não sou das que suspiram com a submissão. Eu sou de arrancar força guardada cá dentro, toda força do meu peito para fazer forte o homem que me ama. Assim quando ele me levar pra cama, eu sei que quem me leva é um homem feito. E foi assim que fiz Jasão um dia. Agora não sei. (Entrada de Joana - Gota D'água)

Eu o amava pra caralho. Muito. Muito mesmo. E era um amor sacana. Amor visceral. Só não sabia que não havia mais completude.
Tá, até sabia, mas não sabia que a diferença era tamanha.
Ainda sentia frio na barriga quando olhava para a fotografia dele e suspirava com os únicos 5 bilhetes escritos que ganhei.
Eu o amava pra caralho.
Ele não.
Ele não se amava.

E foi num dia qualquer, comum, uma segunda-feira, início de semana, o fim de um ciclo. Entrei no carro e vi o meu filme que eu queria que ele tivesse assistido comigo.
- Mas o que isso está fazendo aqui?
- Eu assisti e não gostei.

E o filme sussurrava pra mim: Estou voltando pra casa.
Mas não dei ouvidos. Tenho o excelente dom de me fazer cega e surda para não me machucar. Rodamos um pouco na cidade e paramos no local onde guardava o segredo das nossas trepadas furtivas do ínicio de namoro. Não, não era um motel, era uma rua.
Uma conversa que me doía inteira, que me pegou covardemente desprevenida, humilhadamente pisada, injustiçadamente acusada.
Minha amiga me liga.

- Ei, cadê você?
- Não posso falar agora, posso te ligar mais tarde?.
- Tá chorando?
- É, depois eu falo, tchau.

Bati assim, na cara dela, quando a vontade era de bater na cara dele.
Como ele ousa não me amar?
Como ele ousa dizer aquilo tudo e posar de mártir?
Porra, eu sou sacadinha-descolada-moderninha-cult-engraçada-e-gostosa.
Quem ele pensa que é?
Como vou me permitir ser amiga de um namorado sem o medo que ele me enxergue como irmãzinha? Qual a dosagem certa para dividir uma pizza de pijama e ser comida feito puta depois? Como vou saber se ele quer uma namorada, uma amiga ou uma mãe? Como vou conseguir de novo relaxar e ser eu? Porque ninguém me responde?
E ninguém respondeu.
E então eu chorei até ficar submersa nas lembranças dele.
Gritei todo o ar que já nem tinha.
E se alguém consegue nomear o que é fundo do poço. Foi lá que eu estive. Mas não sei porque, não me permiti ficar.


E com seis quilos a menos que representava toda a nossa felicidade de disputar o balde de sorvete de chocolate enquanto assistíamos filme abraçadinhos, afirmo que nunca mais ninguém vai me fazer chorar assim. E temo que nunca mais me permita também amar assim.
Temo que ninguém mais me arranque lágrimas.
Eu juro que tentei. Mas agora que eu sei que todo mundo pode me decepcionar...
Então isso nem chega a machucar.

Não me permito, nem que seja pra perder novamente seis quilos, pôr aquele biquini e ser paquerada pelo cara sentado com a mulher que o ama, mas que não acordou, que se eu der mole, ela toma um pé na bunda dele.

segunda-feira, 3 de março de 2008

Sobre os presentes.


Gabriela sabia como agradar a um homem. Ela parecia tratar cada homem com quem falava como se fosse o único. Esse era seu maior e mais duradouro encanto. Nunca ninguém fizera antes ele sentir-se tão espirituoso. Gabriela olhava direto nos olhos, ria intuitivamente mesmo das piadas que não entendia, parecia sempre interessada na conversa. E tinha o que se poderia definir como um certo ar sexual permanente. Você punha os olhos nela e imediatamente tinha pensamentos sexuais. Gabriela parecia sexual num velório, num corredor de hospital ou numa cadeira de dentista.


Daqueles presentes que a gente ganha, fica encabulada, mas que no fundo nos deixa toda prosa.

sábado, 1 de março de 2008

Dos encontros de sábados a noite.


Gabi diz:
É pra levar poesia?
Androgynus . www.deadtwins.blogspot.com diz:
Leve!
Androgynus . www.deadtwins.blogspot.com diz:
Não vá sem qualquer tipo de poesia.
Androgynus . www.deadtwins.blogspot.com diz:
Cole a poesia no corpo.
Androgynus . www.deadtwins.blogspot.com diz:
Na cabeça.
Androgynus . www.deadtwins.blogspot.com diz:
Vista-se de poesia.



Amarantine diz:
Eu quero dançar tango hoje.
Amarantine diz:
Me acompanha?
Amarantine diz:
Levarei uma flor vemelha.
Gabi diz:
Oui, ma cherrie.




Meu sábado promete?
O Sarau promete!
A vida promete.

E cumpre, meus amigos. E cumpre.

Hoje tem vinho nas mãos,
Poesia nos braços,
E amigos no gargalo.

sexta-feira, 29 de fevereiro de 2008

Sobre as notas de falecimento.


É sem o mínimo pesar que venho noticiar o falecimento da menina boba, burra e chorona. Foi morte que veio chegando miudinha e foi indo com os primeiros pingos de chuva.
A menina morava na rua da Desilusão e será enterrada no cemitério do Esquecimento.
Hoje chove forte desde cedo e uma nova menina emergiu da poça d'água.
Ah, essa nova menina é tão forte, tão centrada, até parece gente grande.
E ela é linda, sabe...
Sempre lírica e mergulhada em felicidade profunda, principalmente quando chove.

domingo, 24 de fevereiro de 2008

Dos atos clandestinos.


Rabisca uma poesia na parede da minha vontade?

sábado, 23 de fevereiro de 2008

Das lições que vocês deveriam nascer sabendo.


Não é porque A confia em B, que B tem passe livre pra confiar em A.
Confiança é uma doação e não um direito.

sexta-feira, 22 de fevereiro de 2008

Sobre as orações.


E eu disse para aquela foto ao lado:- Muito Obrigada por tudo.
Era a única coisa que saia, e nem era direito um agradecimento, era mais uma prece.

quinta-feira, 21 de fevereiro de 2008

Sobre o Beija-Flor e a Rosa-Menina.


- Vem comigo?
- Não posso, sou semente enraizada e você é um passarinho.
- Então, vem que eu te ensino a voar.
- Fique que eu te ensino a florescer.

quarta-feira, 20 de fevereiro de 2008

Sobre o medo de ser [fel]iz.


Ai que hoje eu só queria dizer bobagenzinhas deitada numa preguiça boa de mexer no seu sorriso.
Mas só me restou um giz azul e um livro velho, e então eu desenhei nuvens fofinhas, peguei uma borbo[letra] e sai para voar num céu cor de página velha amarelada.
Ai que saudade daquele meu tempo onde todos os problemas eu resolvia com cambalhota.

E são esses surtos de felicidade que me dão medo.

terça-feira, 19 de fevereiro de 2008

Sobre o crescimento.


Hoje eu desaprendi a ser menina.

Não, não tem nada de melancolia. Minha menina continua, mas não em mim, do meu lado. Hoje ela segura na barra do meu vestido só pra me mostrar o caminho da esquerda, quando o da direita tiver beco escuro.
Vi que o processo pelo qual estou desabrochando está sendo extremamente doloroso, como é com todo mundo, mas eu só achei que acontecesse lá fora,e não é bem asssim honey, acontece com você mesmo, e como todo ganho, precisa de uma perda, estou vendo que por mais que relute, meu grau de exigência está aumentando. E justo num mundo com tanto homem de merda eu estou teimando em ficar ainda mais exigente (como se já não bastasse).
E por causa disto, vou ficar sozinha o tempo que for e pelo visto, muito tempo. Estava com medo, não estou mais. Na realidade hoje estou pouco me fodendo se vou ter algum dia, de novo, aquela sensação de ENCAIXE.
Desconstrui muitas certezas que até então eram os meus pilares de sustentação. E hoje estou seguindo assim, cambaleante, mas ainda de cabeça erguida. Sempre recusei regras, mas hoje, eu serei despudoradamente fora da lei, não pra transgredir o sistema. Transgredir o sistema é muito fácil, o difícil é se transgredir já disse o grande Tom Zé.
Quero me reinventar. Reformular.
Mas calma, não se preocupe, eu não vou virar nenhuma mal comida com buço. Tá, mal comida até seja uma consequência pro não comida, mas juro que não vou ficar revoltada. Muito pelo contrário, ainda trago o brilho nos olhos e acredito em amor, não mais em amor eterno, esse eu deixo para Florentino Ariza e Fermina Daza do O amor nos tempos do cólera.

Hoje eu só quero ser cretina e ridícula por um bom tempo, até ter respirado e tomado fôlego suficiente para mergulhar em mim de novo e tragar da minha essência. Pois leveza não é um dom que tenho, é um bem que quero.

sexta-feira, 15 de fevereiro de 2008

Sobre o Caio e a Beatriz II




- Sabe, eu estou apaixonada.
- Apaixonada? Que Delícia.
- É, estou apaixonada, entendeu? Estou apaixonada, apaixonada, apaixonada.
Ele ri e dá as costas, ela prossegue:
- Você está ficando velho, gordo, perdendo o cabelo e os que te sobram estão ficando brancos.
- É, e daqui há 15 anos você estará fazendo embaixadinhas com suas tetas. E sabe o que eu estarei fazendo?
- Sei, você vai estar numa cadeira de rodas.
- É, e apreciando a eternidade que me espera, enquanto você vai continuar medrosa.
- Ó, que poético, sabe Caio, ele e eu, fazemos amor.
- Mesmo?
- É, maravilhoso, ele é magnífico.
- Você é uma puta idiota, sabia? A sua melhor trepada está aqui na sua frente e você aí apaixonada por este banana.
- Sabe, ele é cheio de mistérios.
- Sua idiota, todos os teus mistérios estão comigo, aqui, e você vai perder todos.
- Ah, ele é como todos, mas ao mesmo tempo é diferente.
- Como todos.
- E mais, ele até me assusta!
- Porque? Ele te bate? É seu cafetão?
- É, às vezes sim, mas eu gosto. Ele parece um cafetão. Sabe porque eu me apaixonei por ele?
- Fale logo.
- Porque ele sabe me fazer apaixonar por ele.
- Você quer um idiota que te ame, te proteja e te cuide para você adorar o seu “Óh todo poderoso falo”, você é uma puta medrosa, sozinha e vazia e quer se esconder nele. É isso que você quer?
- É.
- Você nunca vai encontrar.
- Mas eu já encontrei.
- Então ele vai te fazer virar uma muralha gigante com seus cabelos, sua boceta, seus seios que só serão dele. Mas a verdade é que você está sozinha. E você só vai se dar conta, quando encarar o cu da morte. E você vai entrar na porra desse cu da morte, e vai dar de frente com o ventre do medo. E então, talvez você encontre essse homem.
- Mas eu encontrei esse homem, você é esse homem.
- ...
- ...
- Vá pegar a margarina.
- O quê?
- Me obedeça, vá pegar a margarina.
- Pronto, o que eu faço?
- Mele os dois dedos, enfie no meu cu.
- Anh?
- ENFIE OS DEDOS NO MEU CU E ME FODA. Porque depois disto, eu vou pegar um porco e farei ele foder você. Quero que esse porco vomite na sua cara e quero que você beba o vômito, mas não de vez, como quem toma sopa. Fará isso por mim?
- Sim, eu faço.
- Quero que o porco morra enquanto te fode e você ficará embaixo dele sentindo o cheiro da sua morte. Fará isso por mim?
- Sim, e muito mais, e pior, muito pior que isso tudo.


Em momento algum Caio deixou de ser fodido pelos dedos de Beatriz e sentia uma onda de tesão ainda maior quando ela dizia Sim, sim, sim, eu farei. Até que ele gozou e disse:
- Agora sim você está preparada, eu te amo, menina.

quarta-feira, 13 de fevereiro de 2008

Sobre a Lorena


Lorena estava numa tensão filha da puta, não aguentava mais carregar aqueles bicos dos seios que mais pareciam uma agulha que feria fundo a cada toque. Não suportava mais aquele inchaço, o chororô, o mal humor, as dores de cabeça e agora dava pra vomitar.

Simone online diz:
Será que vc tá grávida, miga?
Lorena em estado de calamidade online diz:
Se estiver, eu tô fodida.
Simone online diz:
Vcs transavam sem camisinha?
Lorena em estado de calamidade online diz:
A gente só transava sem.
Simone online diz:
Se fodeu, hahahaha.
Lorena em estado de calamidade online diz:
Precisa lembrar que eu tomei um pé na bunda e que posso estar grávida do meu EX? Eu já sei que estou fodida, ou melhor, não estou.rs.
Simone online diz:
Desculpa amiga, mas é que se eu fosse você, não teria feito essa cagada.

Lorena em estado de calamidade online diz:
(SE, SE, SE, Se minha mãe fosse uma porca ela teria duas carradas de tetas, a merda já está feita, caralho)
É, eu sei. Bem, vou assistir pela primeira vez na vida a novela das 8 e chupar um limão pra ver se esse enjôo passa.
Simone online diz:
Que vidinha mais ou menos essa sua hein?
Lorena em estado de calamidade online diz:
(E você precisa lembrar, sua puta desgraçada?)
Pois é, vc não quer vir aqui pra que eu te coma e me distráia, me deixe chupar o limão que se for comparar com a minha vida, ele vira uma maria-mole.
Simone online diz:
Então tá, tchau. Ah, e eu quero ser a madrinha!rsrsrsrs
Lorena em estado de calamidade online diz:
Você sabe fazer uma pessoa se sentir melhor, obrigada.
Simone online diz:
Você sabe que eu te amo
.
Lorena em estado de calamidade está offline.

Lorena ficou ainda mais encucada e resolveu ir na farmácia resolver logo isso com um teste de gravidez. Não sabia se aquilo era bom ou ruim mas já estava se apegando a idéia. No caminho de volta da farmácia encontra o seu ex sentado num café cheio de intimidade com uma morena com a cintura mais fina que seu brinco de argola.
Lorena menstruou alí mesmo. Voltou na farmácia, comprou absorventes e uma caixa de lexotan.

terça-feira, 12 de fevereiro de 2008

Sobre o meu ranchinho.


Ai meu sertão.
Sertão onde me encontro.
Ser [tão] assim é que me en[canta].

Sobre as mu[danças]


HOJE, é só um caramujinho que carrega uma casinha quentinha e confortável pra lá e pra cá.


AMANHÃ, caramujo vai parir um passarinho, que em dia de sol vai chafurdar na água e brincar de segurar o vento, só pra mostrar pra mãe caramujo como é bom voar. E ela vai aprender com o passarinho que ser feliz é o mesmo que conseguir guardar um ventinho bom no bolso.
Passarinho vai fazer milagre.
Vai fazer caramujo virar borboleta.
Ceis vão ver só.
.
.
.
Essa é uma daquelas pessoas que eu chamaria de espelho.
Linda, não?

3 meses com casulo onde dorme o Théo ou a Luiza-Joana-Beatriz-GABRIELA.
Quase todas mulheres de Chico, é o meu humilde pedido e meu nome saiu em destaque, é porque meu caps look deu um problema justo no meu nome, sabe?
E eu sou uma mulher de TOM .

segunda-feira, 11 de fevereiro de 2008

Sobre as novidades.



Por que agora eu posto aqui também: Doce intolerância




P.S 1: Porque eu sempre fui irritada demais, neurótica demais, chata demais, impaciente demais, intolerante demais.

P.S. 2: Isso não é um convite, eu só estou avisando que eu tenho mais uma coisa pra fazer, não estou mandando você entrar nessa porra, e aconselho que não entre, eu posso detonar você lá e não vou ler seu e-mail ofendido, vou mandar você tomar no meio do seu cu sujo logo.

P.S.3: Só Lupeu me entente e vai achar bonito ler aquilo.

P.S 4: Sim, eu nunca aprendi a usar os "porques" e acho uma puta perda de tempo perder meu tempo aprendendo isto.

P.S. 5: Lá é onde serei dura, demente e doída.

P.S.6: Então não se preocupem, aqui eu continuo deliciosamente dócil, doce e delicada.

P.S. 7: Que seja doce, sete vezes, que é pra dar sorte.

domingo, 10 de fevereiro de 2008

Sobre as perdas.


Mão direita acordou inconformada porque o seu lugar cativo se perdeu. E logo ela que vivia zombando da mão esquerda porque só lhe sobrava os trocados para guardar e as sacolas pesadas para segurar, enquanto ela, superior e privilegiada mão direita, nunca pegava peso, nunca se cansava, porque sempre estava limpa e cheirosa para o seu toque-amparo.
Hoje, mão direita acordou e só tinha o vazio e um lado esquerdo estranho.

sábado, 9 de fevereiro de 2008

Dos encontros casuais.


- Ei, você está bem?
( Não, não estou, na verdade eu estou péssima, tem 3 dias que eu não durmo direito, finalmente perdi aqueles 4 quilos que você tanto implicava, agora eu estou gostosa, bem verdade, mas pra quem mesmo? Você não me quer, é, eu lembrei. E meu cabelo também está caindo, minhas unhas quebrando, eu não estou comendo. Eu nem tenho mais lágrimas, quando quero chorar meus olhos só ardem e muito. Meus amigos estão de saco cheio da minha ladainha de você. Eu estou aqui com o cu na mão porque estou te vendo e se você sorrir pra mim mais uma vez assim eu vou te beijar)
- Sim, claro, estou ótima, e você?
(Estou ótimo, finalmente me livrei de você, não aguenta mais aquela tua mania de controlar tudo, cobrar tudo, sempre, sua voz me irritava, eu hoje não dou satisfação a ninguém, estou comendo aquela tua amiga, estou comendo a vizinha e a prima dela, vou comer minhas clientes, vou viajar no próximo feriado e tô indo agora para a casa do Marcão que a gente vai passar a noite jogando no Xbox que ele comprou)
- Estou com saudades de você.
(Aí, está vendo sua burra, ele ainda te ama!)
- Sei, então é isso, a gente se vê, tchau.
(Tchau)
- Tchau

sexta-feira, 8 de fevereiro de 2008

Sobre os diálogos.


- Vó, porque você você estava chorando?
- Estava regando lembranças, minha filha.

Sobre o silêncio.


Tudo é o quê?
Um nada, com complexo de grandeza.
Topo, é o quê?
A sombra, nada ameaçadora do sopé da montanha.
E tem quem ache que “é”, quando só “está
E tem quem ache que está “achado
E na verdade,
Morde o próprio rabo
Girando em círculos bobos e perfeitos.





(Por que eu ando oca demais por dentro.
E esse vazio pesa, me cansa e me cala).

quarta-feira, 6 de fevereiro de 2008

Sobre as possibilidades.


Hoje eu acredito que tudo é possível, pois o impossível acabou de acontecer.

terça-feira, 5 de fevereiro de 2008

Sobre os julgamentos.


A verdade dói.

Mas é a mentira que destrói.

sábado, 2 de fevereiro de 2008

Sobre a voluptuosidade.


O desejo dele sempre foi imperativo e bradava em uníssono.
Era um homem perigoso. Gostava de me surpreender em lugares escuros e públicos para que antes que nos víssemos, suas mãos desenhassem a minha presença.
A paixão que eu sentia era tão íntima, que não sabia se aquilo estava acontecendo ou se era fruto da minha imaginação. Ele Dizia que minha imaginação sempre foi real para ele e que gostava de me manter nua e cínica.
Nunca sabia esperar, com ele aprendi a sair correndo de restaurantes, a conhecer o cheiro dos becos e dos hotéis vagabundos.
Fomos a uma festa na casa de uns amigos.
Ele se aproximou da porta e apagou as luzes.
Quando a luz voltou, alguns saíram, mas a maioria ficou.
Apagaram as luzes novamente.
Já não se distinguia quem era puta nem quem era dama.
15 minutos depois as luzes se acenderam, só ouviam os meus gemidos, e ele me ordenou a não parar até que gozasse.
Com ele eu era assim, somente carne e fome.

quinta-feira, 31 de janeiro de 2008

Sobre o amor lascivo.



Um hotel ordinário. Duas pessoas que se encontram e que fazem o resto do mundo ruir de inveja, silêncio e tédio. Eternidades e almas sendo jogadas – julgadas nunca: julgamentos não cabem quando se tem essa vontade.
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terça-feira, 29 de janeiro de 2008

Para você.


Escuta aqui, sua escrota que dorme comigo todas as noites, olha, nenhuma das vezes que você abraçou o travesseiro achando que estava me abraçando eu estava lá. Estou sendo sincera, não tinha ninguém alí, você estava s-o-z-i-n-h-a. Você precisa aprender a parar de se refugiar em mim.
Mas eu queria também te dizer, que apesar de você às vezes se sentir muito sozinha, que nós somos milhares, porra, você sabe. E sabe também que todas nós te achamos a mulher mais foda desse mundo.
Queria aplaudir por todas as vezes que você poderia ter mandado alguém tomar bem no meio do cu sujo dele e foi lá e mandou.
Queria aplaudir por todas as vezes que você se fez menina para que ficar mulher fosse ainda maior e melhor.
Obrigada por sempre ter me chamado, mesmo quando eu não te dei ouvidos, obrigada por sempre ter deixado o caminho fácil para te encontrar.
Acredite que agora comigo, conquistar o mundo vai ser fichinha.
Ah, e ainda tem mais uma coisa: Sua bunda até que é gostosinha, mas o todo o resto é um escândalo!!!

Não, eu não sou maluca, é que aqui dentro tem várias de mim e uma delas cansou de me detonar.

segunda-feira, 28 de janeiro de 2008

Sobre o sonho.



- Eu te pedi que não viesse atrás de mim.
- Eu sei.
- É, mas eu viria aqui por você também.
- Case comigo.
- Você já é casado.
- Eu não estou usando aliança.
- Mas eu enxergo a corda no seu pescoço.
- Foge comigo.
- Você não tem coragem.
- Café para o senhor e sua esposa?
- Não, ela não é a minha esposa, ela é a minha mulher.
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(Porque eu sonhei com este diálogo a noite inteira)
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